sábado, 29 de março de 2008

Mr. Smith


Gosto desde senhor. Não é de agora, já é de há muito. Tenho pena de não me lembrar de como ouvi falar dele pela primeira vez, nem do motivo que me levou a comprar, algures durante o tempo de faculdade, o album XO numa loja de discos usados na Morais Soares. A adoração foi imediata e duradoura. Isto tudo aconteceu no ano em que foi lançado o Figure 8, derradeiro album da sua carreira, outro disco que poderia ter comprado numa outra loja de discos usados numa edição especial para rádios e que na altura deixei passar. Também não me lembro porquê. Talvez falta de dinheiro, distracção ou a massificação dos formato mp3 na minha vida. Mas não o comprei, saquei os mp3s e ouvi-os repetidas vezes : eram puras perolas pop, requintadas, com orquestra e fundos de alma rasgados de ponta a ponta. Comprei mais tarde, num invulgar pacote na FNAC, os 2 primeiros albuns : Either/Or, Elliott Smith, Roman Candle. E felizmente, comprei à coisa de um mês ou dois finalmente Figure 8 na sua versão original. A colecção está finalmente, aparte de obras postumas, completa. E de repente encontro este video no You Tube e dou por mim a comprar uma t-shirt com uma referencia sua e achar que porra, gosto mesmo disto. Da musica, das palavras, da maneira piegas de dizer que se sofre sem medo de usar a expressão fodasse (e alguém que sofra que não se ache fodido?)

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Miranda do Douro

Descobri à pouco Miranda do Douro. É uma cidade situada num lugar fabuloso e infelizmente longiquo do Nordeste Transmontano. Mas garanto-vos : vale a pena a viagem! Conhecia pouco desta cidade. Os Pauliteiros de Miranda, o Mirandês como segunda lingua nacional, sua localização fronteiriça, o rio Douro. Ah claro, ouvira falar de um prato chamado Posta Mirandesa que felizmente tive ocasião de provar. E que petisco!


Ao chegar a Miranda destaca-se à vista o seu monumento mais marcante, situado numa das colinas mais altas da cidade, a sua Catedral. É um monumento antigo, mas bem conservado. No seu interior guarda uma imagem de santo bem peculiar : O Menino Jesus da Cartolinha. E é isso mesmo. Uma imagem de um menino com uma cartola alta e negra plantada quase em queda sobre a cabeça. No seu altar as suas ofertas : camisas de linho branco e outras fatiotas mais vistosas, para que o menino tenha sempre com o que sair à rua.


Nas traseiras da Catedral encontramos o Paço Episcopal ou o que resta dele, um conjunto de arcadas que sobreviveu a um incendio em temos idos, nos quais Miranda era o centro eclesiástico desta região. É um espaço bem aproveitado, transformado num jardim amplo, junto às muralhas da cidade antiga.


Mas é destas muralhas que temos a surpresa maior : finalmente o Douro e forma como ele banha a cidade, rude e bruto rasgando rochas e penedos desde terras de Castela. Em Miranda o Douro é preso : Aqui se encontra a primeira barragem portuguesa deste rio, seguindo-se mais abaixo a do Picote e a da Bemposta, todas situadas no interior do Parque Natural do Douro Internacional. Todas estas escarpas são area protegida : estamos no reino de àguias, cegonhas pretas, grifos e bufos reais. E se a paisagem é de si deslumbrante a surpresa maior é o que o homem resolveu fazer para a poder desfrutar : um cruzeiro ecológico.


Um projecto de parceria entre portugueses e espanhois o cruzeiro tem a capacidade para 120 pessoas em cada viagem e realiza-se diáriamente, fazendo no minimo uma viagem diária. Existem vários tipos de viagens, com tempos, distâncias e preços diferentes. Acabámos por fazer a mais comum : uma viagem de uma hora de subida e descida do rio, sem paragens, pelo preço de 14€. Uma pechincha para tamanha beleza. Nem palavras nem fotos são suficientes para descrever a paisagem. Há que lá ir e sentir, regressar e dizer : é verdade, valeu a pena.


Descubram Miranda do Douro assim que possam. Aproveitem o festival InterCéltico de Sendim logo ali ao lado no mês de Agosto ou outra qualquer desculpa. Sobretudo vão.


http://www.europarques.com/


http://www.cm-mdouro.pt





Technorati :

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

América Brasil, Seu Jorge


Como qualquer português que se preze, na grande maioria do tempo não tenho muito orgulho em o ser. É complicado ser Português : somos Europeus mas nem tanto, não somos Europeus como os franceses e os alemães. Somos outra coisa, não somos poderosos e só nós mesmo julgámos que por um momento na história o fomos. Sim, mais facilmente se lembraram de nós traficantes de escravos do que de nós grande potência ultramarina. Salvé os velhos manuais escolares que hão-de perpetuar a mentira e eternamente nos obrigar a ler os Lúsiadas como unica e grande obra da literatura universal. Que grande povo somos ao obrigarmos as nossas crianças a ler algo tão bárbaro.


Mas, desabafo à parte, há coisas que gosto nisto de ser Português. A lingua, acima de tudo. Temos a mais bela e versátil das linguas, e nem sempre nos damos conta disso. Mas é um orgulho. E saber que do outro lado do Oceano existe uma nação imensa que a fala, essa sim é a prova do nosso passado. A foto ao lado representa um dos vicios mais recentes, América Brasil, dessa personagem singular que é o Seu Jorge. Não é o único. Dia após dias consumo música brasileira como nunca o pensei fazer. E na sua musicalidade, no seu sentimento de ritmo e lugar, nas palavras que só podem ser tão doces porque são ditas nesta lingua, sinto um orgulho enorme em ser Português. Não pela nação, não pela terra, mas pelas palavras. Pela herança eterna que conseguimos deixar lá numa terra tão longe, que resultou numa mescla de gente que tanto jeito tem para fazer música (e também cinema e literatura).


No álbum em si, é dificil destacar alguma coisa. Seria mais fácil dizer o que não gosto, que é pouco. Desde as faixas "samba rock" como America Brasil, Burguesinha ou Mina do Condominio, à balada Seu Olhar. Se gostas de musica daquele hemisfério, é fácil gostar. Se não gostas, olha vai p o c*****. Ou então tenta ouvir. Prometo-te que irás gostar.

Into The Wild - O Lado Selvagem

into_the_wild_movie_poster.jpg Este fim de semana tive o prazer de ir ao cinema ver um grande filme. E reparem como ele é grande para mim : estou a começar um blog só para poder falar nele. Isto por achar que ninguém o irá ver e que acabará por ser ignorado. E isso é uma pena.


Into The Wild - O Lado Selvagem não chama muito a atenção se virmos o trailer. Também não ajuda muito o titulo em Português : confesso que O Lado Selvagem me lembra aqueles anuncios aos chocolates Lion e sinceramente, apesar de seres estaladiços e bons, não tinham a profundidade de pensamento que este filme tem. Se tivesse que vos resumir o filme diria : é a história de um rapaz que, farto da sociedade consumista e sem valores em que vivemos, resolve ir viver para o Alaska, para um lado mais puro onde o homem ainda não chegou. Faz-lo pela experiência. Porque todo o homem deve sentir o que são necessidades primitivas como o comer e o simples conforto para se sentir vivo. Pois, se calhar não é assim tão interessante. Mas é. Porque levanta questões e sobretudo responde a muitas delas. Porque nos entretem com uma história bastante simples mas extraordináriamente bem contada. Com personagens que podiam ser qualquer um de nós nos nosso papeis de pais, filhos, amigos.


O filme enche-me as medidas pelas semelhanças com o Good Will Hunting. Pela normalidade das personagens (aqui ainda mais bem conseguida e menos lamechas), pela banda sonora de génio (obrigado Eddie) e sobretudo pela lição que nos é ensinada sobre as relações humanas (novamente aqui soberbamente conseguida). Vão ver, sério. Prometo-vos um grande filme. Só vos peço uma coisa : não vão sozinhos ou mal acompanhados. Levem a(o) companheira(o), os vossos pais ou amigos verdadeiros. Este filme é sobre todos eles.