
Como qualquer português que se preze, na grande maioria do tempo não tenho muito orgulho em o ser. É complicado ser Português : somos Europeus mas nem tanto, não somos Europeus como os franceses e os alemães. Somos outra coisa, não somos poderosos e só nós mesmo julgámos que por um momento na história o fomos. Sim, mais facilmente se lembraram de nós traficantes de escravos do que de nós grande potência ultramarina. Salvé os velhos manuais escolares que hão-de perpetuar a mentira e eternamente nos obrigar a ler os Lúsiadas como unica e grande obra da literatura universal. Que grande povo somos ao obrigarmos as nossas crianças a ler algo tão bárbaro.
Mas, desabafo à parte, há coisas que gosto nisto de ser Português. A lingua, acima de tudo. Temos a mais bela e versátil das linguas, e nem sempre nos damos conta disso. Mas é um orgulho. E saber que do outro lado do Oceano existe uma nação imensa que a fala, essa sim é a prova do nosso passado. A foto ao lado representa um dos vicios mais recentes, América Brasil, dessa personagem singular que é o Seu Jorge. Não é o único. Dia após dias consumo música brasileira como nunca o pensei fazer. E na sua musicalidade, no seu sentimento de ritmo e lugar, nas palavras que só podem ser tão doces porque são ditas nesta lingua, sinto um orgulho enorme em ser Português. Não pela nação, não pela terra, mas pelas palavras. Pela herança eterna que conseguimos deixar lá numa terra tão longe, que resultou numa mescla de gente que tanto jeito tem para fazer música (e também cinema e literatura).
No álbum em si, é dificil destacar alguma coisa. Seria mais fácil dizer o que não gosto, que é pouco. Desde as faixas "samba rock" como America Brasil, Burguesinha ou Mina do Condominio, à balada Seu Olhar. Se gostas de musica daquele hemisfério, é fácil gostar. Se não gostas, olha vai p o c*****. Ou então tenta ouvir. Prometo-te que irás gostar.
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